Crescimento pessoal

05/11/2019 08h00

Caminhos Holisticos

Conheça histórias de algumas terapias holísticas importantes para o avanço e disseminação das práticas integrativas no Brasil, desde o século passado

Por Elisa Dorigon

Nosso Bem Estar
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Terapias do túnel do tempo

A diversidade de terapias e métodos de expansão da consciência e qualidade de vida disponíveis hoje, para quem deseja entrar no caminho do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, é bastante ampla. Além do expressivo número de possibilidades, o acesso é fácil e rápido: basta “dar um google” para as informações estarem todas ao nosso alcance.

Você já parou para pensar como tudo isso começou? Você sabe quando as terapias holísticas chegaram ao Brasil, mais precisamente ao Rio Grande do Sul, e quem foram alguns dos responsáveis pelo pontapé inicial no universo das terapias energéticas e vibracionais?

Este questionamento nos levou a buscar o depoimento de alguns profissionais que fizeram parte desta história e construíram uma longa caminhada aqui no Estado. Eles nos contaram um pouco desta trajetória e nos ajudaram a montar esta linha do tempo.

A terapia com florais e a arte de cura com as mãos através do Reiki e do Jin Shin Jyutsu

O pesquisador e terapeuta holístico Carlos Guterres, criador do sistema floral Vivessências e instrutor de Jin Shin Jyutsu, nos conta que no início, as terapias complementares eram chamadas de “alternativas”. Elas começaram a se tornar populares no final dos anos 80, inicialmente com os Florais de Bach e da Califórnia. “Em 1993, eu trabalhava no departamento de engenharia do polo petroquímico e não aguentava mais o que fazia. Então, aceitei uma proposta de demissão voluntária. Não tinha ideia do que fazer dali para frente. Foi quando uma amiga médica me convidou a fazer um curso de Florais de Bach. Eu fui de curioso, pois havia me parecido muito coerente”, conta Guterres. Foram 18 encontros com Carmem Monari, segundo ele, a pessoa viva que mais entende de Florais de Bach.

“Os anos 90 foram muito ricos para a terapia floral. Todos os grandes pesquisadores mundiais vinham ao Brasil e tive a oportunidade de conhecer praticamente todos, tinham 10 a 12 cursos por ano. O RS também recebeu diversos pesquisadores. Cheguei a organizar curso dos Florais de Alaska e do Deserto, em Porto Alegre. Foi quando ouvi falar do Reiki e fiz minha formação com o alemão Upanishad Kessler, mestre de relevância no Estado e em todo o Brasil”, relata.

Em 1995, Carlos começou a fazer florais sem pretensão. “Como acontece com a maioria dos pesquisadores, para a autocura. Os amigos começaram a pedir e quando vi, estava fazendo florais. Foi neste ano, também, que conheci o Jin Shin Jyutsu e comecei a me aprofundar. Em 2000, fui convidado pelo escritório mundial do Arizona para ser um instrutor”. E hoje, apesar de morar em Porto Alegre, Guterres viaja o mundo dando cursos desta arte e de florais.  

O escritor, palestrante e professor Rodrigo Silveira também divide conosco o início de sua trajetória. “No final dos anos 90, um desafio familiar me levou a buscar ajuda em diversos lugares e apelar para abordagens alternativas à medicina tradicional. Uma pessoa que estava buscando me ajudar nesta fase, me recomendou conhecer o Reiki e me entregou um cartão de quem viria a ser meu mestre. Até então, eu nunca havia ouvido falar sobre Reiki. Naquele tempo “pré-google”, em que a internet apenas dava seus primeiros passos, ter informações a respeito era muito difícil”, fala Rodrigo.

Quando recebeu sua primeira iniciação, haviam menos de sete mestres Reiki no RS, ensinando a prática. “Me tornar reikiano foi um momento tão importante para mim que reconheço como um divisor de águas em minha trajetória pessoal. Em pouco tempo, me tornei também um mestre de Reiki. Isso aconteceu bem a tempo do que eu considero a “época de ouro do Reiki”, um período em que a mídia descobriu a técnica e um grande número de pessoas despertou para as possibilidades de ser um reikiano. Foi um período muito intenso, em que em apenas um ano como mestre, já havia ultrapassado mil iniciações. Um tempo especial que nunca mais vai se repetir, mas que foi vital para tornar o Reiki uma das práticas de bem-estar mais reconhecidas do mundo”, diz o mestre.

Celestina Gonçalves também entrou no mundo das terapias integrativas em busca de cura pessoal. “Quando paramos para fazer uma retrospectiva, percebemos a velocidade com que o tempo passou, a rapidez da transformação. No início, era um universo pouco conhecido, bastante desacreditado, muito combatido e, não raramente, ridicularizado pela classe científica, por profissionais da saúde e leigos em geral. Muitas vezes, busquei fora do RS e fora do Brasil profissionais que pudessem me ajudar. Pouquíssimas pessoas daqui estavam capacitadas para ensinar na década de 80 e recebíamos instrutores de São Paulo e até de outros países como USA, Índia, China e Inglaterra”, relata.

Ela conta que não havia muita literatura em português. Algumas instituições fechadas detinham este conhecimento, como a Rosa Cruz, Maçonaria, Ponte para a Liberdade, os Centros Espíritas federados e os centros budistas. O acesso a informação não era disponível como é hoje. Fazendo o caminho na busca da autocura, a curiosidade a impulsionava na incessante busca de informações. “As terapias alternativas, na medida que cresciam, também causavam preocupação das entidades representativas da área da saúde, que muitas vezes, alertaram as pessoas para os “riscos” de tratar enfermidades através de cores, de Reiki, de meditação, de exercícios de respiração, da bioenergética, do Chi Kung, das essências florais, da fitoterapia... e até da reza e da benzedura”, descreve.

Segundo Celestina, foram anos de esforços diários, os profissionais corriam o risco de receber uma notificação pelo exercício ilegal da medicina. “Eu tinha um lema que passava para meus clientes e alunos, uso até hoje: aconteça o que acontecer, continue”. Para Celestina, nas duas últimas décadas, estas práticas começaram a ganhar respeito, ainda que se confundam as terapias hoje denominadas integrativas e complementares com técnicas simplesmente. Ao longo destes anos, sua absoluta certeza nos benefícios das terapias a levou a ousar e confiar, fundando, em 2002 a Associação de Terapeutas Florais – ATEFLORS; o Sindicato dos Terapeutas do RS – SINTE-RS, em 2003 e a Federação dos Terapeutas do Brasil, em 2005. “Recentemente, 29 terapias foram incluídas no SUS. Embora eu não veja isso como uma solução adequada, de fato benéfico para os profissionais holísticos, nem interessante para uma categoria que se estrutura com muitas dificuldades, reconheço que tem beneficiado muitas pessoas”, conclui.

Do oriente, a técnica do Feng Shui

Da mesma forma, procurando desenvolver harmonia e equilíbrio em sua vida, a profissional de comunicação Marilda Romero conheceu o Feng Shui há 25 anos. Encontrou um curso de Geomancia Chinesa, que mostrava que a casa que habitamos reflete em nossos resultados, podendo exalar saúde ou grandes desafios. Observando o local em que morava, se deparou com diversas coisas que precisariam ser ajustadas, trocadas de lugar, descartadas e renovadas para que melhorasse os fluxos internos de circulação da energia pessoal dos ambientes. A sua gratidão e paixão pela técnica foi tão grande que ela mudou sua área de atuação, estudou e se profissionalizou para se tornar professora, consultora e depois especialista em Feng Shui. “Naquela época, nos anos 90, ninguém conhecia o Feng Shui, mas logo em seguida, muitas publicações começaram a circular e apresentaram a prática ao grande público. Comecei a ensinar grupos de alunos interessados em melhorar suas vidas e seus resultados, através do conhecimento da técnica e do autoconhecimento. Visitei centenas de residências que resultaram em grandes projetos de bem viver e muitos clientes se tornaram amigos e parceiros de longo tempo. E 25 anos depois, sigo trabalhando como consultora, professora e especialista, com a certeza de que fiz a escolha profissional certa”, diz Marilda.

O universo da Psicologia Transpessoal e do Pathwork

“Em meados dos anos 80, quando concluía o curso de Psicologia, sentia um descontentamento quanto ao reducionismo das escolas de pensamento Behaviorista e Freudiana. Achava que a abordagem era incapaz de abarcar toda a complexidade do fenômeno humano”. Foi assim que Gina Raquel Martin buscou, em 1986, a Psicologia Transpessoal. “Continuo fazendo vários cursos que tem como foco o estudo da consciência e seus estados incomuns. E foi na Metodologia Pathwork de Autoconhecimento, que encontrei respostas e recursos para trabalhar com o ser humano como um todo, ou seja, nas dimensões física, mental, emocional e espiritual possibilitando, assim, o amplo desenvolvimento da Consciência”, descreve. Hoje, como psicóloga e facilitadora de grupos de Pathwork, em Caxias do Sul, ela salienta que tanto a Psicologia Transpessoal, quanto o Pathwork não são religiões, mas trazem uma espiritualidade contemporânea a partir de uma perspectiva de conexão com o Todo, de forma holográfica, cada vez mais alinhada com os pressupostos da física quântica atual.

Unipaz, a primeira universidade holística

Rosemari Johan é terapeuta holística em Caxias do Sul desde 1998, quando pediu demissão no Banco do Brasil para assumir, o que entendia na época, ser seu propósito de vida - Ser Terapeuta. “Foi quando conheci a Unipaz Sul e após uma jornada de quase três anos na segunda turma de Formação Holística de Base, tomei a decisão e pedi demissão. Na época, o termo holístico era muito confundido com misticismo, espiritismo, religião. Fui a pioneira em começar a divulgar o trabalho de terapeuta holística e a esclarecer sobre terapias alternativas - hoje complementares, aqui em Caxias do Sul”, conta. Seu primeiro instrumento facilitador de processos dentro das terapias holísticas foi a Terapia Floral e o Reiki, mas foi através da Unipaz que ela conheceu uma série de entendimentos e instrumentos facilitadores de processos como técnicas de relaxamento, uso de mandalas e meditação. “Com o tempo fui aperfeiçoando, graduei-me em Psicologia, fiz especialização em Transpessoal e sistêmica familiar, utilizo a técnica do EMDR e a orgonoterapia”, finaliza.

São muitas as técnicas e terapias complementares que surgiram no Brasil nesta época ou até mesmo antes. Citamos algumas... outras acabaram ficando para uma próxima oportunidade, como o Shiatsu, o Do-In, a Bioenergética, etc.

 

ALGUMAS TERAPIAS:

TERAPIA FLORAL

O primeiro sistema de terapia através dos florais foi criado pelo médico inglês Dr. Edward Bach, em 1930. São 38 essências, cada uma relacionada a um específico estado mental humano. As essências são divididas em sete grupos terapêuticos, de acordo com as seguintes emoções: medo, desespero, preocupação excessiva, incerteza e dúvida, desinteresse, solidão e sofrimento pelos outros. Depois de Bach, outros sistemas foram criados por todo o mundo, sendo hoje reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

REIKI

É a transmissão de energia vital universal através da imposição de mãos e da utilização de símbolos. Foi canalizado e sistematizado pelo médico japonês Dr. Mikao Usui. É um método terapêutico que permite a qualquer pessoa despertar dentro de si esta energia, por meio de uma iniciação através de um mestre em Reiki. Pode ser utilizado para harmonizar sua própria energia vital (KI), bem como a de qualquer outra pessoa ou ser vivo.

JIN SHIN JYUTSU

Antiga prática japonesa que equilibra a energia do corpo usando, principalmente, os dedos das mãos para eliminar o estresse, criar equilíbrio emocional, aliviar a dor e abrandar doenças agudas ou crônicas. Foi levada aos Estados Unidos, nos anos 50, por uma aluna do sábio japonês Jiro Murai e de lá expandiu-se pelo mundo.

FENG SHUI

É uma técnica milenar chinesa de harmonização dos ambientes, de origem filosófica taoísta. Utilizada para trazer paz, prosperidade e alegria ao lar, ambiente de trabalho e vida pessoal. Trabalha a cura do ambiente – como auxiliar: a cura do indivíduo, considerando os fluxos de energia.

TERAPIA TRANSPESSOAL

É uma terapia de abordagem humanista centrada nos aspectos espirituais da vida humana, que utiliza diversos métodos e teorias psicológicas para se aprofundar na questão espiritual. Foi desenvolvida na década de 60 pelo psicólogo americano Abraham Maslow. A palavra transpessoal significa “além do pessoal”. O significado reflete bem o seu objetivo principal, que é explorar o crescimento humano e ajudar as pessoas a descobrirem a essência profunda que existe além das dimensões do ego.

AROMATERAPIA

Uma técnica natural que utiliza o aroma e as partículas liberadas por diferentes óleos essenciais, estimulando diversas partes do cérebro. Ajuda a aliviar os sintomas de ansiedade, insônia, depressão, asma ou resfriado e promove o bem-estar, fortalecendo as defesas do corpo. Apesar de serem usados produtos naturais, é importante que a aromaterapia seja orientada por um naturopata ou outro profissional especializado, para saber qual o melhor óleo essencial a utilizar em cada caso.

FITOTERAPIA  

Estuda as plantas medicinais e suas aplicações nos tratamentos de prevenção, alívio ou cura de doenças. Utiliza externa ou internamente vegetais in natura ou na forma de medicamentos. As diferentes partes da planta, como raiz, casca, flores ou folhas são usadas em suas preparações, sendo o chá a mais utilizada, feito por meio da decocção ou infusão.  A fitoterapia permite um vínculo entre o homem e o ambiente, com o acesso ao poder da natureza, ajudando o organismo na normalização das funções fisiológicas prejudicadas, na restauração da imunidade, na promoção da desintoxicação e no rejuvenescimento.

CROMOTERAPIA  

As cores são utilizadas para estabelecer o equilíbrio e a harmonia entre corpo, mente e emoções. Cada cor tem sua função terapêutica específica e atua em um chakra ou um órgão do corpo humano. Sendo assim, ao serem acionadas, as cores impactam fortemente nessas áreas, restabelecendo ou energizando tudo que está bloqueado ou em desequilíbrio no corpo, como as doenças, por exemplo.

 

 

 

Obras Chaves

Alguns livros e autores foram muito importantes nesta época e serviram de base para a expansão de conceitos ligados as terapias e ao crescimento pessoal e espiritual

Max Bof - editor

- A Profecia Celestina, de James Redfield

- O Tao da Física, de Fritjof Capra

- Mãos de Luz, de Barbara Ann Brennan

- Medicina Vibracional, de Richard Gerber

- A Doença como Caminho, de Thorwald Dethlefsen e Rudiger Dahlke

- Você pode curar a sua vida - Louise Hay

- O Caminho do Guerreiro Pacífico, de Dan Millman

- A tempestuosa busca do Ser, de Stanislav Grof

- Cura Quântica, de Deepak Chopra

- Obra de Ken Wilber

- Obra de Dr. Bach

- Livros de Pierre Weil, Roberto Crema e Jean Yves Leloup

 

 

 

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