Crescimento pessoal

15/09/2015 08h21

Após a meia-idade, nada termina

“Alguma coisa morre em você a cada momento e a todo momento nasce uma coisa nova. A vida e a morte não estão tão separadas. Elas fazem parte de um todo cósmico.”

Por OSHO

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Alguma coisa morre em você a cada momento e a todo momento nasce uma coisa nova. A vida e a morte não estão tão separadas. Elas fazem parte de um todo cósmico.

Uma velha árvore, que fica bem ao lado da minha casa, tem dançado na chuva, e suas velhas folhas caem com graça e beleza. Não apenas a árvore tem dançado na chuva e no vento, suas velhas folhas também têm dançado. Há uma celebração.

Em toda a existência ninguém sofre com a velhice, exceto o homem. Na verdade, a existência nada sabe a respeito da velhice. Ela conhece o amadurecer, o maturar, ela conhece o tempo de dançar, de viver o mais total e intensamente possível, e depois há um tempo de descansar.

Essas velhas folhas da amendoeira, que fica ao lado de minha casa, não estão morrendo; elas estão simplesmente indo para um descanso, desfazendo-se e unindo-se à mesma terra de onde vieram. Não há tristeza, nem lamentação, mas uma imensa paz indo repousar na eternidade. Talvez num outro dia, num outro tempo, elas voltem novamente numa outra forma, ou numa outra árvore. Elas irão dançar novamente, cantar novamente; elas irão festejar com o momento.

A existência conhece apenas uma mudança circular: do nascimento à morte, da morte ao nascimento, e esse é um processo eterno. Cada nascimento implica morte, e cada morte é sucedida de um nascimento. Por isso a existência não tem medo. Não há medo em lugar algum, exceto na mente do homem.

O homem deveria se divertir mais, viver mais cada momento, quer seja na infância, na juventude ou na velhice, quer seja no nascimento ou na morte − isso não importa, absolutamente. Você está além de todos esses episódios pequenos.

A eterna dança da vida e da morte

Milhares de nascimentos e milhares de mortes aconteceram a você, e aqueles que veem claramente podem entender isso de forma ainda mais profunda, como se esse ciclo estivesse acontecendo o tempo todo. Alguma coisa morre em você a cada momento e a todo instante nasce uma coisa nova. A vida e a morte não estão tão separadas, não por setenta anos. Vida e morte são como duas asas de um pássaro, acontecendo simultaneamente; nem a vida pode existir sem a morte, nem a morte pode existir sem a vida. Obviamente, elas não são opostas, obviamente, são complementares. Elas necessitam uma da outra para a sua existência, são interdependentes, fazem parte de um todo cósmico.

Mas o homem é tão inconsciente, está tão adormecido, que é incapaz de ver um simples e óbvio fato. Apenas um pouco de percepção, não muita, e você poderá ver que está mudando a cada segundo; e mudança significa que algo está morrendo, ao passo que algo novo está nascendo. Então, o nascimento e a morte se tornam um só; a infância, com sua inocência, torna-se uma com a velhice e sua inocência. É claro que há uma diferença, mas ainda assim não há nenhuma oposição.

A inocência da criança, na realidade, é pobre, porque é quase sinônimo de ignorância. O homem velho, já maduro, que passou por todas as experiências de escuridão e de luz, de amor e de ódio, de alegria e miséria, que amadureceu ao longo da vida em diferentes situações, chega a um ponto em que não participa mais de nenhuma experiência. A miséria surge, ele observa; a alegria surge,  ele observa. Ele se torna o observador da montanha. Tudo acontece lá embaixo, no vale escuro, mas ele continua em seu pico ensolarado da montanha, simplesmente observando, em profundo silêncio.

A inocência da velhice é rica. Rica em experiência; rica em fracassos, em sucessos; rica em boas ações, em más ações; rica em todas as suas faltas e em todos os seus êxitos − ela é multidimensionalmente rica. Sua inocência não pode ser sinônimo de ignorância; sua inocência pode ser apenas sinônimo de sabedoria.

Ambos são inocentes, a criança e o velho. Mas sua inocência tem uma mudança qualitativa, uma diferença qualitativa. A criança é inocente porque ainda não entrou na noite escura da alma. O velho é inocente − ele já saiu do túnel. Um ainda vai sofrer muito, o outro já sofreu o suficiente. Um não pode evitar o inferno que está à sua frente; o outro já deixou o inferno para trás.

Na existência nada começa e nada termina

Simplesmente olhe ao seu redor... a noite não é o fim, nem a manhã é o começo. A manhã está se movendo em direção à noite e a noite está se movendo em direção à manhã. Tudo está simplesmente se movendo para formas diferentes. Não há início e não há fim.

Por que seria diferente com o homem? O homem não é uma exceção. Com a ideia de que é excepcional, diferente dos outros animais, das árvores e dos pássaros, o homem criou seu próprio inferno, sua própria paranoia. A ideia de que somos seres excepcionais − somos seres humanos − criou uma distância entre você e a existência. Esse distanciamento causa todos os seus temores e toda a sua miséria, causa angústia e uma desnecessária aflição.

E todos os seus assim chamados líderes, quer sejam religiosos, políticos ou sociais, enfatizaram a distância, alargaram-na. Não tem havido, em toda a história da humanidade, um simples esforço para diminuir essa distância, para trazer o homem de volta à terra, para trazê-lo de volta aos animais, aos pássaros e às árvores e declarar uma absoluta unidade com a existência.

Essa é a verdade do nosso ser. Uma vez que isso seja entendido, não haverá mais preocupação nem com a velhice nem com a morte, porque, olhando ao seu redor, você ficará absolutamente convencido de que nada jamais começa − tudo sempre esteve aqui −, e nada jamais acaba − tudo continuará sempre aqui.

Uma das maiores falhas em todas as culturas e todas as civilizações do mundo é que elas não foram capazes de proporcionar uma vida significativa, uma existência criativa para seus velhos; não foram capazes de prover com beleza e graça não apenas a velhice, mas a própria morte.

Você não precisa se preocupar com a velhice. Ela é a sua maturidade; você simplesmente passou por cada experiência. Você cresceu tanto por causa delas que agora não precisa repeti-las mais e mais vezes. Isso é transcendência.

Você deveria alegrar-se, e eu gostaria que o mundo todo entendesse essa alegria: que é seu direito de nascimento, aceitar com profunda gratidão a velhice e a consumação final da velhice na morte.

Se você não é grato, se não pode rir disso, se não pode deixar um riso atrás de você enquanto desaparece no eterno, você não viveu da maneira certa; você foi dominado e dirigido por pessoas erradas. Podem ter sido seus profetas, seus messias, seus salvadores; podem ter sido suas encarnações de deuses, mas eles foram todos criminosos, no sentido de que o privaram de sua vida e encheram seu coração de medo.

Meu esforço é encher seu coração de risadas. Cada fibra de seu ser deveria adorar dançar em qualquer situação, quer seja dia ou noite, quer você se sinta bem ou mal. Independentemente da situação, uma subcorrente de contentamento deveria continuar. Para mim, isso é a autêntica religiosidade. 

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